Trabalho infantil cai ao menor nível desde 2016; veja onde a proporção é maior

O Brasil tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% da população dessa faixa etária. Os dados, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número caiu 9,2% em relação a 2024 e é o menor da série histórica, iniciada em 2016.

O Sudeste concentra o maior número de casos, com 481 mil crianças e adolescentes nessa situação. Em seguida vêm o Nordeste, com 408 mil, o Norte, com 249 mil, o Sul, com 233 mil, e o Centro-Oeste, com 128 mil. Quando se considera a proporção em relação à população jovem de cada região, o cenário muda: o Norte tem a maior taxa do país, de 6,3%, e o Sudeste, a menor, de 3,3%.

Cerca de 525 mil crianças e adolescentes estavam ocupados nas chamadas piores formas de trabalho infantil, que incluem atividades perigosas e insalubres proibidas para menores de 18 anos. É o menor número da série. Em 2024, eram 560 mil; em 2016, 919 mil.

O trabalho infantil é mais frequente entre os mais velhos. Os adolescentes de 16 e 17 anos somavam 871 mil pessoas, ou 58,1% do total. Entre os jovens de 14 e 15 anos, eram 348 mil, e entre as crianças de 5 a 13 anos, 280 mil. A legislação proíbe qualquer trabalho até os 13 anos, permite apenas a aprendizagem aos 14 e 15 e autoriza o trabalho a partir dos 16, com restrições.

O levantamento mostra impacto na escola. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos em situação de trabalho infantil, 79,6% frequentavam a escola, contra 89,6% do total dessa faixa etária. As principais atividades identificadas foram comércio e reparação de veículos (29%), agricultura, pecuária e pesca (16,7%) e indústria (12,5%).

Segundo o IBGE, a queda de 2024 para 2025 ocorreu principalmente entre crianças e adolescentes de famílias beneficiárias do Bolsa Família. Nesse grupo, houve 144 mil casos a menos, o que representa mais de 95% da redução de 151 mil casos registrada no país no período.