Por que a prova de inglês e espanhol do Enem cobra menos gramática

Com apenas cinco questões, a prova de inglês ou espanhol do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode parecer pequena diante das outras áreas do primeiro dia. Para professores ouvidos pela Folha de S.Paulo, porém, deixar a língua estrangeira em segundo plano é um erro, e a preparação deve priorizar a interpretação de textos, não a gramática.

O histórico do exame mostra esse peso. Entre 2009 e 2025, o inglês apareceu principalmente em artigos, reportagens e notícias (35,4%), textos publicitários, campanhas e notas (15,4%), textos de cunho pessoal (13,8%), letras de músicas e poemas (13,1%) e cartuns, tirinhas e charges (11,5%). No espanhol, 70% das questões se concentraram em interpretação e compreensão de texto; linguagem verbal e não verbal respondeu por 20%, e expressões da língua, por 10%.

"Não é que gramática e vocabulário não sejam cobrados, mas eles ficam em segundo plano", afirma Hugo Albuquerque, professor e gerente de produtos educacionais do CNA+. Na escolha do idioma, ele recomenda que o candidato considere aquele com que tem mais contato no dia a dia.

A dificuldade também varia. Segundo a professora Alessandra Florindo, coordenadora de inglês de escolas bilíngues em São Paulo, em 2025 as cinco questões de inglês foram classificadas como três médias e duas fáceis, enquanto o espanhol teve duas difíceis, uma média e uma fácil.

Na hora da prova, a orientação é evitar a tradução palavra por palavra. Albuquerque sugere primeiro captar a ideia central do texto e depois localizar as informações necessárias. "Se você tivesse que resumir esse texto em uma frase, era sobre o quê?", diz. Alessandra recomenda começar pela pergunta e pelas alternativas, que estão em português, e prestar atenção aos verbos de comando, como identificar, aplicar ou analisar.

No espanhol, a semelhança com o português ajuda, mas pode levar ao erro. O principal cuidado, segundo os professores, é com os falsos cognatos, palavras parecidas com termos do português que têm outro significado. Charges, cartuns e tirinhas também são frequentes e exigem relacionar o texto às imagens.

Para ampliar o vocabulário, os professores indicam séries, músicas, redes sociais e textos jornalísticos. "Estejam atentos às notícias, leiam atualidades também", aconselha Alessandra.

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