Fifa pune Espanha por cânticos islamofóbicos em jogo contra o Egito; veja a pena

A Fifa multou a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) em US$ 20 mil, cerca de R$ 101 mil, por cânticos islamofóbicos entoados por torcedores no amistoso contra o Egito, em março. Além da multa, a Espanha terá de fechar pelo menos 15% dos assentos disponíveis no estádio no próximo amistoso da seleção em casa. A decisão foi tomada em agosto, mas só foi divulgada agora, depois que o recurso dos espanhóis foi negado.

O episódio ocorreu em 31 de março, no RCDE Stadium, casa do Espanyol, nas proximidades de Barcelona. O jogo, preparatório para a Copa do Mundo de 2026, terminou empatado em 0 a 0. Parte da torcida da casa entoou cantos que usavam a religião muçulmana como provocação e vaiou o hino nacional egípcio antes do início da partida.

Durante o jogo, o protocolo contra o racismo foi acionado. O sistema de som do estádio pediu que os torcedores parassem com as manifestações, e o placar eletrônico exibiu uma mensagem contra comportamentos discriminatórios. Os episódios foram registrados na súmula, e a polícia espanhola abriu uma investigação no dia seguinte. A Fifa instaurou um processo disciplinar contra a federação.

No processo, a RFEF argumentou que a palavra "muçulmano", por si só, não seria ofensiva ou pejorativa. A entidade também defendeu que o caso fosse analisado pelo artigo 17 do código disciplinar da Fifa, que trata de mensagens políticas, ideológicas, religiosas ou ofensivas, e não pelo artigo 15, que aborda discriminação e abuso racista.

O comitê disciplinar rejeitou a tese. Segundo a Fifa, a aplicação do artigo 15 não exige o uso explícito de um insulto discriminatório, e uma expressão pode assumir caráter discriminatório dependendo do contexto, quando é usada como ofensa, provocação ou forma de inferiorizar um grupo.

O atacante Lamine Yamal, que estava em campo pela Espanha e é muçulmano, condenou publicamente o episódio na época. Nas redes sociais, ele disse entender que a provocação era contra o time rival e não contra ele, mas classificou os cantos como "uma falta de respeito e algo intolerável".

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