Dark Horse: PF pede mais 90 dias a Mendonça e diz o que ainda falta apurar

A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por 90 dias do inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi noticiado nesta sexta-feira (16); segundo a Folha de S.Paulo, o documento foi enviado na quinta-feira (15).

De acordo com o delegado responsável, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, o prazo extra é necessário para concluir perícias contábeis e aguardar o pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido repasses. “Remanescem pendentes, entre outras, a perícia contábil-financeira requisitada ao Instituto Nacional de Criminalística, a análise de dados telemáticos”, diz a PF no pedido.

Os investigadores também analisam documentos entregues pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, delator do caso Master, cuja colaboração foi validada por Mendonça em 9 de setembro. Os papéis comprovariam repasses ao Havengate Development Fund, criado nos Estados Unidos para receber os pagamentos do filme. Segundo a Folha, o fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Mineiro disse ter apenas executado as remessas, sem saber o destino final do dinheiro.

O inquérito foi instaurado em 23 de julho, a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), e apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, aparece formalmente como investigado. De acordo com a Folha, os investigadores avaliam fatiar a apuração para concluir antes a parte sobre evasão de divisas atribuída a Vorcaro; só depois seria avaliado se há indícios de crimes praticados pelo senador.

Flávio negou inicialmente ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro. Após a divulgação de um áudio, reconheceu ter conversado com Vorcaro para viabilizar a produção, mas afirmou que se tratava de financiamento privado e negou irregularidades. Segundo o g1, ele disse que Vorcaro colocou pouco mais de US$ 12 milhões no projeto. Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos de fundo ligado ao ex-banqueiro.

Em outra frente, relatada pelo ministro Flávio Dino, a PF investiga o envio de R$ 2 milhões em emendas indicadas pelo deputado Mario Frias (PL) a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment. Frias afirmou ao STF que as emendas não foram usadas para financiar o filme.

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