Fim da 6x1: 27% dos supermercados gaúchos cogitam fechar aos domingos, diz Agas
Mais de um quarto dos supermercados associados à Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) já cogita fechar as lojas aos domingos depois do fim da escala de trabalho 6x1. O dado foi divulgado pela entidade em posicionamento oficial sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada pelo Senado na quarta-feira (14) e promulgada pelo Congresso nesta sexta-feira (16).
Em nota, a Agas afirmou que recebeu “com preocupação a aprovação da medida, que deverá causar aumentos imediatos nos preços dos produtos, a partir do início de sua vigência”. Segundo a associação, as empresas começaram a discutir a redução do horário de funcionamento das lojas e o fechamento de unidades aos domingos.
“Após rápida enquete, 27% dos nossos associados supermercadistas informaram que já cogitam fechar aos domingos, após a aprovação da Escala 5x2. Além de um prejuízo às rotinas de compras dos consumidores, esta medida poderá aumentar de forma substancial a concorrência com setores como farmácias, lojas de conveniência e e-commerces”, afirmou o presidente da Agas, Lindonor Peruzzo Junior.
A emenda garante dois dias de descanso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. A nova escala passa a valer 60 dias após a promulgação e a publicação, quando a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais; depois de mais 12 meses, cai para 40 horas.
Levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, com dados do Ministério do Trabalho, mostra que o Brasil tinha 14,8 milhões de empregos com carteira assinada na escala 6x1 em dezembro de 2025, ou 29,9% dos vínculos formais. A proporção era maior em micro (34,5%) e pequenas empresas (36,2%). Para setores muito formalizados, o economista prevê mais contratações e repasse aos preços. “É mais emprego e mais inflação”, disse, ao citar o transporte aéreo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira à TV Bandeirantes que o governo estuda linhas de crédito e programas de capacitação para empresas que tiverem dificuldades com a transição, sem detalhar valores ou condições. Questionado sobre uma eventual desoneração da folha de pagamentos, ele não anunciou medida nesse sentido. “De fato tem um ônus para alguns empresários, é um ônus que é minoritário”, disse o ministro.