Americanas: Justiça torna réus ex-CEO e mais 11 ex-executivos por fraude de R$ 25 bi


A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 12 ex-executivos da Americanas, entre eles o ex-CEO Miguel Gutierrez, pela fraude de R$ 25 bilhões na companhia. A decisão é da 6ª Vara Federal Criminal do Rio, e o processo tramita em segredo de Justiça.
A denúncia foi apresentada em março de 2025 e lista 28 manobras fraudulentas. Os ex-executivos respondem por crimes como organização criminosa, manipulação do mercado de capitais, uso indevido de informações privilegiadas e falsidade documental. Em 2025, o MPF havia denunciado 13 ex-funcionários; um deles, Márcio Cruz Meirelles, fechou depois acordo de colaboração premiada e não está entre os réus.
Segundo a procuradoria, os executivos agiam de forma coordenada para elevar ou manter alta a cotação das ações, inserindo receitas fictícias no balanço. A denúncia sustenta que Gutierrez “planejou, ordenou e executou a fraude”. O esquema teria durado sete anos, de fevereiro de 2016 até a saída de Gutierrez, em dezembro de 2022, e usado operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada para inflar o lucro. Informações de dois ex-diretores que fizeram delação, Marcelo da Silva Nunes e Flávia Pereira Carneiro, embasaram a acusação.
Além de Gutierrez, a ação inclui Anna Christina Saicali, José Timotheo de Barros, Anna Cristina Sotero, Luis Augusto Saraiva Henriques, Carlos Eduardo Rosalba Padilha, Murilo dos Santos Correa, João Guerra Duarte Neto, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, Maria Christina Ferreira do Nascimento, Raoni Lapagesse Franco Fabiano e Fabien Picavet, segundo uma fonte a par do processo citada pelo jornal O Sul.
O caso veio à tona em janeiro de 2023, quando a empresa revelou inconsistências contábeis, e levou a varejista à recuperação judicial no mesmo mês. Desde então, a companhia recebeu aporte de seus sócios de referência, reduziu a rede de lojas e vem vendendo ativos.
Em nota, a Americanas afirmou que foi vítima de uma “fraude estruturada e de natureza dolosa” cometida pelos ex-executivos e que não teve acesso à decisão. As defesas de Gutierrez e de Anna Saicali não comentaram. O advogado Antonio Pitombo, que defende Timotheo de Barros, disse que o recebimento da denúncia é “um ato formal sem juízo de mérito” e “uma excelente oportunidade para mostrarmos, de vez, a inocência do nosso cliente”.
