Preso, marido da prefeita de Bauru era “figura política” de fraude no lixo, diz MP

O ex-secretário municipal de Governo de Bauru (SP) Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso nesta sexta-feira (16) durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A prisão preventiva foi confirmada em audiência de custódia, e ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória de Bauru.

Segundo o documento do MP-SP que fundamentou a prisão, ao qual a TV TEM teve acesso, Purini era a “figura política” de que a organização precisava para garantir a aprovação do projeto de concessão dos serviços de lixo na Câmara Municipal. O contrato investigado é estimado em cerca de R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos.

De acordo com a investigação, mensagens interceptadas indicam que Purini teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar a votação. Os repasses seriam feitos por meio do advogado Marcos Libanore Caldeira, que recebia os valores como pagamento por serviços jurídicos e os repassaria ao ex-secretário. A Estre chegou a emitir uma nota fiscal de R$ 750 mil para o escritório do advogado. Para o Gaeco, há indícios de que o pagamento fazia parte de uma remuneração recorrente. Em outra conversa, Purini teria cobrado R$ 90 mil adicionais.

As mensagens também mostram, segundo o MP, que em dezembro de 2025, durante a votação do projeto, Purini acompanhava a movimentação dos vereadores e disse ter se reunido com nove parlamentares na véspera. A então secretária do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, e o CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, também aparecem nas conversas citadas pela investigação.

Purini foi preso no condomínio onde mora e acompanhou a equipe do Gaeco no cumprimento de mandados de busca em sua sala na prefeitura. A nova fase da operação decorre da análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos na primeira etapa, que, segundo o MP, revelaram indícios da participação de outros agentes públicos e particulares.

A investigação começou em março, a partir de denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis da Ascam, associação que mantinha contratos de mais de R$ 5 milhões com a prefeitura sem licitação. A reportagem do g1 não traz a posição da defesa de Purini nem da empresa.