Lula e Flávio miram Minas, estado onde todo presidente eleito venceu desde 1989

Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais entrou no centro das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno. Desde a eleição de 1989, todos os presidentes eleitos no Brasil venceram no estado, considerado por pesquisadores um “espelho” do resultado nacional.

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio teve 48,24% dos votos em Minas, contra 43,33% de Lula. Em 2022, o petista havia vencido no estado, com 48,29%. O mapa, porém, não é uniforme: Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras, enquanto Lula foi o mais votado em 452 dos 853 municípios, e Flávio, em 401. Cerca de 22% dos eleitores do estado não foram às urnas, com 3.735.098 abstenções.

Lula fez a primeira visita ao estado depois do primeiro turno nesta sexta-feira (16). Começou por Juiz de Fora, a única das dez maiores cidades onde venceu, com 49,58% contra 41,53%, e fez uma caminhada ao lado da prefeita Margarida Salomão (PT) e da senadora eleita Marília Campos (PT). Depois, foi a Ipatinga, no Vale do Aço, onde Flávio teve 61,11% e Lula, 31,47%. Na mobilização digital, o deputado André Janones (Rede), criador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, soma mais de 4,2 milhões de seguidores.

Flávio esteve na quinta-feira (15) em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, uma das poucas cidades da região onde venceu, com 48,20% contra 44,39%. Ele estava acompanhado do senador eleito Domingos Sávio (PL) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o mais votado do país, com 3.118.784 votos. O governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), que declarou apoio a Flávio, deveria participar, mas passou mal depois de discursar no Senado e não foi ao evento.

“Cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás”, avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV. Para ele, o apoio de aliados dá capilaridade às campanhas, mas “não existe transferência automática de votos”. Camilo Aggio, professor da UFMG, avalia que Flávio tem vantagem nos apoios pela visibilidade digital de Nikolas e Cleitinho, enquanto o PT enfrenta rejeição à sigla no estado. Ele lembra, porém, que Lula venceu em Minas em 2022 e aposta que a campanha petista deve investir muito no estado na reta final.

Siga-nos
Seguir página
Seguir
Inscrever-se
Seguir