'Tirar Globo' e 'atacar a física': o que Vorcaro pediu em vídeos contra jornalistas

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, encomendou vídeos sem indicação de autoria para tentar desacreditar os jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, do jornal O Globo, que cobriam as operações do banco. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo com base em conversas encontradas pela Polícia Federal entre Vorcaro e a então superintendente de comunicação e marketing do Master, Ana Lúcia Matos.

Segundo as mensagens, de março de 2025, a executiva enviou roteiros e rascunhos dos vídeos para aprovação do banqueiro. Em um dos trechos, Vorcaro orienta a “tirar Globo” do texto e “atacar a física”, em referência à ideia de direcionar os ataques às pessoas dos jornalistas, e não à empresa. “Resto ficou excelente”, escreveu.

Um dos textos propostos sugeria que Lauro Jardim teria acesso frequente ao prédio onde fica a sede do banco BTG Pactual, em São Paulo. Outro comparava Malu Gaspar a uma vidente. De acordo com o Estadão, Vorcaro aprovou o texto, mas reclamou do vídeo pronto que recebeu e, depois, pediu que a foto de Lauro não fosse incluída, “pq ta na cara que e nosso”. A reportagem informou não ter tido acesso ao vídeo.

As conversas se somam a outras já tornadas públicas. Em março, veio à tona mensagem em que Vorcaro fala em agredir Lauro Jardim em um assalto forjado; os advogados dele disseram que as falas foram feitas “em momentos de indignação”. Em julho, mensagens mostraram uma busca por dados privados de Malu Gaspar com o publicitário Thiago Miranda, que nega irregularidades.

Ana Lúcia Matos, que não é investigada no caso da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), disse não ter tido acesso ao material original e afirmou ter razões para suspeitar que os trechos foram “selecionados e editados, fora de contexto”.

A defesa de Vorcaro negou, em nota divulgada no mês passado, que ele tenha praticado ou determinado “qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja”. Na sexta-feira (16), os advogados pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue o vazamento das conversas e disseram que ele sofre um “processo de linchamento público”.

O Globo repudiou a campanha contra os dois jornalistas. “Trata-se de mais uma tentativa de intimidar a imprensa e desacreditar o jornalismo profissional”, afirmou o jornal.

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