Medidas de Lula no ano eleitoral somam R$ 290 bi, diz Folha; R$ 55,1 bi ficam para 2027

O conjunto de medidas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de olho nas eleições chegou a R$ 290 bilhões, considerando valores previstos para 2026 e 2027, segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo. Do total, R$ 234,9 bilhões recaem neste ano e R$ 55,1 bilhões em 2027, a cargo do presidente que for eleito.

A lista inclui subsídios aos preços dos combustíveis, anunciados em março após o início da guerra no Irã, linhas de crédito para setores econômicos, para a casa própria e para a compra de carros e caminhões, a expansão do Pé-de-Meia para universitários, um Pix de R$ 5.000 para microempreendedores individuais e a tarifa zero no transporte público nos fins de semana.

Parte das ações não afeta as regras fiscais, mas boa parte tem impacto no endividamento. Em agosto, a dívida bruta do governo geral alcançou 82,9% do PIB, o maior patamar em cinco anos. Cálculos preliminares da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, indicam que o pacote pode elevar o indicador em 1,2 ponto percentual até o fim de 2027. Só no Orçamento do próximo ano, será preciso ajustar ao menos R$ 39,9 bilhões.

“Se entram despesas obrigatórias novas, algo precisa sair, em geral investimento e custeio, já comprimidos”, afirmou o diretor da IFI, Alexandre Andrade. Para o economista Felipe Salto, da Warren Rena, o impacto das medidas torna “ainda mais relevante o ajuste fiscal no pós-eleições”; segundo ele, não há descumprimento da Lei Eleitoral nem da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Ministério do Planejamento e Orçamento afirmou que as iniciativas têm naturezas, fontes de financiamento e prazos diferentes e, por isso, não deveriam ser somadas. “A execução de políticas públicas não pode ser confundida, por si só, com aumento de gastos motivado pelo calendário eleitoral”, disse a pasta. O Ministério da Fazenda declarou que os valores não representam integralmente impacto adicional no Orçamento de 2027 e que os ajustes vão respeitar a meta fiscal e o arcabouço.

Segundo a Folha, assessores do candidato Flávio Bolsonaro (PL) criticam a política fiscal de Lula e prometem mudanças, sem detalhar o ajuste. O jornal registra que o senador também se comprometeu com medidas que ampliam gastos ou reduzem receitas, como aumento real para aposentados e o chamado tesouraço nos impostos.