França tem 1 morto e quase 1.800 presos após protestos; Macron fala à nação hoje

A França fez neste domingo (18) o balanço de um dos dias de protestos mais violentos dos últimos anos no país. As manifestações de sábado (17) contra o aumento do custo de vida e a piora dos serviços públicos deixaram um manifestante morto, mais de 500 policiais feridos e quase 1.800 pessoas detidas, segundo o governo. O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação às 20h no horário local (15h em Brasília).

Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades; os organizadores falam em 800 mil. O manifestante morto sofreu uma parada cardíaca durante os atos em Paris, onde a polícia fez 855 prisões, um recorde, de acordo com a Folha de S.Paulo.

A maior parte dos participantes protestou de forma pacífica, mas grupos violentos entraram em confronto com a polícia, saquearam lojas e atacaram prédios públicos. Em Limoges, a prefeitura, de 143 anos, foi incendiada e parcialmente destruída. “Houve uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura”, disse o prefeito Guillaume Guerin à agência Reuters. Em Bordeaux, o prefeito Thomas Cazenave relatou cerca de cem lojas saqueadas. O presidente-executivo do Carrefour, Alexandre Bompard, disse à BFMTV que 50 lojas da rede foram danificadas, 20 delas saqueadas.

Os protestos começaram em setembro em escolas de bairros de periferia, por falta de professores e más condições de ensino, e se ampliaram para uma pauta contra a desigualdade, os cortes de gastos públicos e a alta dos preços. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu a violência à “extrema esquerda” e a criminosos comuns e afirmou que o governo não será “intimidado”. O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos comerciantes: “Quem quebra vai pagar”. Macron escreveu no X que os responsáveis pelos ataques “serão processados e punidos”.

A atuação das forças de segurança também é questionada. Segundo o g1, o órgão que fiscaliza a polícia investiga pelo menos 24 denúncias de violência cometida por agentes. Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa, destacou nas redes que a maioria dos manifestantes agiu de forma pacífica.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump associou os distúrbios à imigração. Na rede Truth Social, escreveu que “a França está em chamas” e defendeu que o país feche as fronteiras. No sábado, atos contra o custo de vida e o preço da moradia também ocorreram em Portugal, na Itália, na Bélgica e na Espanha.

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