Lula passa a citar 'Bolsonaro' em 26% dos posts; Flávio mantém foco em 'vote' e 'vencer'


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final da eleição usando o Instagram de formas diferentes e em papéis invertidos em relação ao começo do ano, segundo levantamento do g1. A análise considerou 2.129 publicações dos perfis oficiais dos dois candidatos entre 1º de janeiro e 14 de outubro de 2026: 1.305 da pré-campanha e 824 da campanha, que começou em 16 de agosto.
De janeiro a meados de agosto, Lula não citou “Bolsonaro” nem “Flávio” em nenhum post. No mesmo período, Flávio mencionou “Lula” em 21% das publicações. No primeiro turno, o nome do adversário passou a aparecer em cerca de 4% dos posts do presidente. No segundo turno, “Bolsonaro” está em 26% das publicações de Lula, e “Flávio”, em 20%. Já Flávio reduziu as menções a Lula para 18% no primeiro turno e 15% no segundo.
O discurso do senador continua concentrado no pedido de voto: “vote” aparece em 54% dos posts do segundo turno, e “vencer”, em 50%. O post de Flávio com mais engajamento nesta fase trata da exibição sem som do programa eleitoral dele na televisão, em 12 de outubro, com 2,3 milhões de interações. O vídeo mais visto do senador no segundo turno, com 26,2 milhões de reproduções, é o de 14 de outubro, em que anuncia que irá ao debate da Band.
No caso de Lula, “bora” passou de 2% para 18% das publicações no segundo turno, e “família”, de 10% para 19%. O fim da escala 6x1, aprovado pelo Senado na quarta-feira (14), aparece em 12% dos posts desta fase. Um vídeo de 8 de outubro em que o presidente fala sobre o adversário teve 22,3 milhões de reproduções.
No volume, Lula publica mais: são 10,3 posts por dia na campanha, mais que o triplo de Flávio, que caiu de 3,4 para 2,4 posts diários no segundo turno. Por isso, o presidente soma mais interações no total, 8,4 milhões por dia no segundo turno, contra 2 milhões do senador. Post a post, porém, Flávio teve vantagem durante quase todo o ano. No segundo turno, a publicação típica de cada um ficou próxima: 680 mil curtidas e comentários para Lula e 658 mil para Flávio.
Na sexta-feira (16), a Folha de S.Paulo informou que funcionários da Meta, dona do Instagram, reconheceram em mensagens internas restrições que prejudicaram contas de Lula. Em nota, a empresa negou ter interferido nas eleições e atribuiu o problema a uma falha técnica mundial em 7 de outubro.
