Polícia afasta 3 delegados por suspeita de regalias a Milton Leite; cela tinha 2 celulares

A Polícia Civil de São Paulo afastou no sábado (17) três delegados, um investigador e um carcereiro de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, após uma operação do Ministério Público e da Corregedoria da corporação contra supostas regalias ao ex-vereador Milton Leite (União). Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, ele está preso desde setembro na cadeia pública da cidade.

Na ação de sexta-feira (16), o Gaeco cumpriu mandados de busca na cadeia, no 1º Distrito Policial de Mogi e em uma casa no município. Segundo a Folha de S.Paulo, foram apreendidos R$ 155 mil em dinheiro e cerca de US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de beneficiar Leite, e dois celulares foram encontrados na cela do político. A CNN Brasil informou ainda que R$ 4 mil estavam no bolso do agente durante a busca na prisão.

De acordo com o Ministério Público, havia “um fluxo incessante de visitantes dos presos, muitos deles sem qualquer vinculação familiar”, além de outras regalias incompatíveis com a prisão. Os fatos podem configurar corrupção passiva e ativa e prevaricação, segundo a Promotoria. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que o afastamento busca garantir que as apurações sigam sem interferências e que um inquérito e um procedimento disciplinar vão investigar o caso.

Segundo a Folha, entre os afastados está a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto. Ela disse estar com a consciência tranquila e afirmou que estava de férias, após duas cirurgias, quando a televisão e as marmitas disponíveis ao ex-vereador foram autorizadas pelo juiz corregedor durante uma inspeção. Os nomes dos demais policiais não foram divulgados.

A defesa de Milton Leite afirmou em nota que ele “não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado” e que está submetido às mesmas regras dos demais presos. Os advogados disseram não ter tido acesso à investigação, que, segundo eles, partiu de denúncia anônima.

Leite foi preso na Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração da facção PCC no transporte coletivo de ônibus da capital paulista. Os investigadores dizem que ele seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que operou linhas de ônibus na cidade e teve o contrato rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O ex-vereador nega envolvimento com a facção e afirma que vai provar sua inocência.

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