O que anéis e relógios inteligentes conseguem dizer sobre a menopausa


Relógios, anéis e pulseiras inteligentes passaram a oferecer neste ano recursos voltados à menopausa. A Apple, a Oura e a Whoop anunciaram funções para mulheres de meia-idade, mas o que essas ferramentas medem e o quanto ajudam nas decisões sobre a saúde varia muito, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo.
Todos os recursos dependem do que as próprias mulheres registram sobre seus ciclos e sintomas. O aplicativo Saúde, da Apple, envia um alerta a mulheres com 40 anos ou mais cujos ciclos começam a variar, informa que isso pode ter vários motivos, entre eles a perimenopausa, e sugere uma conversa com o médico, oferecendo um PDF com os ciclos dos últimos 12 meses. Segundo a empresa, o alerta usa os dados registrados pela usuária, e não os captados pelos sensores do relógio.
A Oura oferece uma pontuação de sintomas baseada num questionário de 22 perguntas, ao lado de tendências de sono e temperatura. A ginecologista Chris Curry, diretora clínica de saúde da mulher da empresa, afirma que o anel não consegue determinar se a mulher está na perimenopausa, mas pode “facilitar o caminho para uma conversa” com o médico. Já a Whoop prevê quando a usuária pode voltar a ter determinados sintomas registrados por ela.
Stephanie Faubion, diretora médica da The Menopause Society e da área de saúde da mulher da Mayo Clinic, diz ver valor nos padrões revelados pelos aparelhos. Em alguns casos, eles podem ajudar a identificar um problema atribuído por engano à menopausa, como a apneia obstrutiva do sono. Mas, segundo ela, os recursos específicos não acompanham nada que os dispositivos já não monitorassem.
As especialistas também apontam limites. A maioria das métricas são estimativas: quando o aparelho informa quanto sono REM ou profundo a mulher teve, “isso não equivale a medir o que está acontecendo no cérebro”, diz a pesquisadora Fiona Baker, do SRI International. A psicóloga Kelly Baron, da Universidade de Utah, afirma que algumas pessoas ficam pior com mais dados sobre o sono, por desenvolverem preocupação excessiva com eles. Há ainda o risco de classificar cedo demais um sintoma, como palpitações, como efeito da menopausa.
Faubion lembra que um dos dados mais úteis nessa fase, a pressão arterial, que “dispara na menopausa”, ainda não pode ser monitorado de forma confiável por esses dispositivos.
