Japão lança nesta segunda sonda que vai trazer à Terra amostras de uma lua de Marte


A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa) prevê lançar nesta segunda-feira (19) a missão Exploração das Luas de Marte (MMX, na sigla em inglês). A sonda não vai pousar no planeta vermelho: o alvo é Phobos, a maior das duas pequenas luas marcianas, de onde pretende coletar solo e pequenas pedras para enviar à Terra, algo inédito. O lançamento será feito por um foguete H3 a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão.
A missão deve durar cinco anos e é feita em colaboração com Estados Unidos, França, Alemanha e a Agência Espacial Europeia (ESA). O objetivo é desvendar a origem de Phobos e de Deimos, a lua menor. Uma hipótese é que tenham sido asteroides capturados pela gravidade de Marte; outra, que tenham se formado com material lançado ao espaço depois que um asteroide atingiu o planeta. A composição química de Phobos pode indicar qual delas é mais forte.
A sonda deve chegar a Marte em agosto de 2027 e entrar na órbita de Phobos cerca de um mês depois. Ela leva 13 instrumentos científicos, entre câmeras de alta resolução, um altímetro a laser e detectores de minerais e de raios gama. No início de 2029, vai soltar um pequeno rover, do tamanho de um micro-ondas, chamado Idefix, desenvolvido com as agências da França e da Alemanha, para ajudar a escolher o local de pouso.
Em 2030, o módulo de exploração pousará em Phobos por pouco mais de duas horas e poderá coletar amostras uma ou duas vezes. A gravidade da lua é de apenas cerca de 0,1% da terrestre. Depois de reunir pelo menos dez gramas de material, o módulo voltará à Terra, onde deve chegar em 2031. A cápsula com as amostras vai descer de paraquedas na Austrália e seguir para o Japão.
A tarefa não é simples: a Rússia tentou algo parecido em 2011, com a missão Phobos Grunt, que não conseguiu sair da órbita da Terra. A Jaxa já trouxe amostras de asteroides com as missões Hayabusa e Hayabusa 2. Como Phobos orbita muito perto de Marte, as amostras podem incluir material do próprio planeta, lançado ao espaço por impactos de asteroides.
O texto original foi publicado no site The Conversation e reproduzido pela Folha de S.Paulo.
