Flávio é alvo de 2º caso no STF, com Moraes de relator; defesa diz que não há inquérito

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu da Polícia Federal um pedido de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas dele e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O caso chegou à Corte em 8 de outubro e foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes. A informação foi publicada no domingo (18) pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo g1 e pela Folha de S.Paulo.

A apuração começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, que investigava lavagem de dinheiro, evasão de divisas e o uso de casas de apostas e plataformas de pagamento digital. Ao quebrar o sigilo telemático de Tomaz, a PF encontrou e-mails que, segundo o relatório, mostram Flávio cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa do advogado. Em e-mail de 22 de maio de 2025, Tomaz pediu a exclusão desse acesso. Por causa do foro especial do senador, o caso subiu para o STF.

O relatório também cita festas, encontros e reuniões entre os dois, documentos pessoais de Flávio no iCloud de Tomaz e viagens do senador pagas por uma empresa do advogado, a Cathedral. A PF afirma ainda haver indícios de que Tomaz controla de fato a Rede Loto, primeira empresa autorizada pela Loterj a explorar apostas esportivas no Rio de Janeiro, e menciona que uma conta dele movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025.

Há divergência sobre o estágio do caso. O g1 informou que a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela abertura da investigação. A defesa de Flávio afirma que ele “não é investigado” no STF, que os autos ainda não foram convertidos em inquérito e que não houve manifestação da PGR nem decisão judicial. Fontes ouvidas pelo Estadão disseram que o senador já é investigado.

Em nota, a defesa de Flávio disse que a relação com Tomaz é “de amizade entre as famílias” e que as suspeitas surgem “em pleno período eleitoral” para “espalhar Fake News”. Willer Tomaz negou crimes, disse que a Rede Loto “jamais operou como plataforma de apostas” e chamou a investigação de “pescaria probatória”.

Este é o segundo caso no STF envolvendo Flávio. O primeiro, relatado pelo ministro André Mendonça, apura o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master.