Lula defende legado e Flávio fala em ‘gastança’; o que eles disseram sobre economia

A economia foi o segundo tema do primeiro debate do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band no domingo (18). Os mediadores perguntaram sobre o baixo crescimento, a dívida pública, os juros, a carga tributária e a recuperação do grau de investimento.

Flávio começou com perguntas diretas ao eleitor. “A sua vida melhorou ou piorou? A comida está mais cara ou está mais barata?”, disse. O senador criticou a dívida pública de R$ 11 trilhões, que chamou de “mais um recorde negativo”, e atribuiu o endividamento à “gastança” do governo. Ele afirmou que sua vitória no primeiro turno fez os juros futuros recuarem e prometeu abrir espaço de mais de R$ 200 bilhões no Orçamento para reduzir a dívida do governo e ajudar famílias endividadas. “Essa dívida não é sua. Essa dívida é do atual governo”, afirmou.

Lula disse ter orgulho de ter conquistado dois graus de investimento e que o país está perto de recuperar a nota. Afirmou que herdou uma dívida de US$ 30 bilhões com o FMI, que foi quitada, e que o país acumulou US$ 270 bilhões em reservas. O presidente defendeu fazer “o dinheiro circular na mão das pessoas” e citou incentivos aos microempreendedores individuais (MEIs).

Em outro momento, Lula perguntou se Flávio adotaria a política do presidente argentino, Javier Milei. “Vai pegar emprestada a motosserra do Milei?”, questionou. Flávio não respondeu e perguntou qual seria o modelo do petista. “O meu”, disse Lula. Quando o presidente perguntou onde seriam os cortes, Flávio falou em “tesouraço na corrupção” e citou gastos com viagens da primeira-dama, Janja.

O custo das promessas é alvo de críticas de economistas. Segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, citado pelo jornal O Sul, o pacote de benefícios do governo em 2026 já soma R$ 298,4 bilhões entre novas despesas e receitas das quais se abriu mão. Do lado de Flávio, especialistas dizem que cortes na máquina pública e venda de imóveis da União teriam efeito pequeno. Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, chamou de “completamente ilusório” um ajuste feito só com medidas sobre a máquina.

Os dois candidatos prometem manter a regra de reajuste do salário mínimo acima da inflação.