Lula vê família Bolsonaro 'subordinada' aos EUA; Flávio diz que petista defende PCC

A relação do Brasil com os Estados Unidos e o combate às facções criminosas provocaram um dos embates mais duros do debate da TV Bandeirantes no domingo (18), entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Lula perguntou se Flávio pretende permitir que os Estados Unidos controlem a exploração de minerais estratégicos brasileiros, usados na produção de baterias, chips e equipamentos eletrônicos. "Só quero saber se vocês, que prometeram que vão trazer os Estados Unidos pra cá pra fazer investimento, vão entregar as terras-raras e minerais ricos pra eles", disse o presidente.

Em seguida, Lula criticou a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do adversário, nos Estados Unidos. "A família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos. É notável. O irmão está lá fazendo pressão e instigando o golpe contra o Brasil", afirmou.

Flávio não respondeu diretamente sobre os minerais. Negou ter trabalhado pela imposição de tarifas americanas a produtos brasileiros e disse que viajou aos Estados Unidos para defender os produtos nacionais. Depois, acusou Lula de ter procurado o governo de Donald Trump para impedir que o PCC e o Comando Vermelho fossem classificados como organizações terroristas. "Ele foi para lá para defender CV e PCC, pelo amor de Deus!", declarou.

O senador prometeu incluir o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa criada pelo governo Trump para o combate ao narcotráfico e ao crime organizado, que prevê compartilhamento de informações entre os países e medidas para sufocar financeiramente as organizações criminosas. Ele também defendeu o uso das Forças Armadas nas fronteiras. Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru estão entre os países alinhados à iniciativa.

Lula afirmou que pretende ampliar os investimentos na exploração de minerais estratégicos e defendeu que o Brasil preserve a capacidade de decidir sobre esses recursos. O governo brasileiro avalia que classificar facções como terroristas pode abrir precedente para medidas externas em assuntos internos, segundo o Metrópoles. Os Estados Unidos fizeram essa classificação do PCC e do CV depois que Flávio disse ter pedido a medida pessoalmente a Trump.

O segundo turno será no domingo (25).