China cresce 4,5% no 3º trimestre puxada por exportações; imóveis seguem em queda

A economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionada pelas exportações e pela produção industrial. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo governo chinês, ficou acima das expectativas do mercado, mas ocorre em meio à crise imobiliária e à fraqueza da demanda interna.

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês acelerou em relação ao segundo trimestre, quando havia crescido 4,3%, o ritmo mais lento em mais de três anos. Economistas esperavam alta de 4,4% entre julho e setembro. Nos três primeiros trimestres de 2026, o PIB acumulou crescimento de 4,6%.

A produção industrial cresceu 5,5% em setembro, na comparação anual, acima da alta de 5,2% de agosto. As vendas no varejo aumentaram 1,1% no mês. O número superou a previsão de 0,6%, mas o avanço permaneceu limitado. Segundo Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, o crescimento real das vendas, descontada a inflação, praticamente não avançou em relação a um ano antes.

O investimento no setor imobiliário caiu 20,6% entre janeiro e setembro, ante retração de 19,9% nos oito primeiros meses do ano, o que indica que a queda se aprofundou. O investimento em ativos fixos, que inclui imóveis e infraestrutura, recuou 7,2% no acumulado do ano. “Embora as exportações tenham oferecido uma proteção importante, é improvável que compensem totalmente a fraqueza em outras áreas da economia”, afirmou à Reuters Raymond Yeung, economista-chefe para a China do ANZ.

As vendas ao exterior têm sido um dos principais motores da economia chinesa neste ano, em parte pelo avanço das exportações ligadas à inteligência artificial. Segundo o g1, esse desempenho enfrenta riscos, como uma desaceleração dos investimentos globais em inteligência artificial e um acordo com a União Europeia para limitar os embarques de veículos híbridos chineses.

A mediana das projeções de economistas consultados pela Reuters indica crescimento de 4,5% em 2026, abaixo dos 5% de 2025, e de 4,4% em 2027. Para Ho Woei Chen, economista do UOB, o desempenho dentro da meta reduz a probabilidade de uma ampliação imediata dos estímulos econômicos.

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