Lecornu pede toque de recolher na França após protestos com quase 2.400 detidos

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira (19) que pediu a prefeitos de cidades com manifestações que decretem toques de recolher para conter a onda de protestos que atinge o país. “Pedi aos prefeitos que decretassem vários toques de recolher nesta noite, toques de recolher parciais”, disse Lecornu, que não especificou quais cidades foram incluídas.

Na madrugada de sábado para domingo (18), o país registrou uma das noites mais violentas dos últimos anos. Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades, e os atos deixaram um morto, mais de 500 policiais feridos e quase 2.400 detidos, de acordo com o g1. Segundo a BBC, estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais tenham sido saqueados e destruídos.

O governo fez uma reunião de emergência nesta segunda para decidir medidas contra a violência nas ruas. Segundo a BBC, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, tentou apresentar sua renúncia, informou o Palácio do Eliseu, mas o presidente Emmanuel Macron pediu que ele avalie medidas para reforçar a segurança e garanta que os responsáveis pelos atos de violência sejam levados à Justiça. Nuñez é acusado por adversários, por sindicatos e nas redes sociais de ter mobilizado efetivo policial insuficiente.

Segundo o portal Metrópoles, Lecornu também anunciou um fundo de apoio específico para comerciantes atingidos por saques e depredações e a adoção imediata do regime de desemprego parcial, em que o governo banca parte do salário para evitar demissões. Ao menos 3 mil empresas foram afetadas, segundo Lecornu.

A onda de protestos começou em setembro em escolas de ensino médio dos subúrbios pobres ao norte de Paris, com críticas à falta de professores e às instalações precárias. O movimento ganhou apoio de sindicatos e de manifestantes contra a alta do custo de vida e do preço dos combustíveis. Nesta segunda, o Museu do Louvre amanheceu fechado depois que manifestantes bloquearam o acesso ao local.

Macron e Lecornu atribuem a violência a grupos radicais de extrema esquerda e a delinquentes, segundo a BBC. O líder esquerdista Jean-Luc Mélenchon fala em “incompetência” do governo, e Marine Le Pen, da direita nacionalista, culpou o governo Macron. Sindicatos e o movimento dos “coletes amarelos” anunciaram novos protestos para 5 de novembro.