Marco Nanini é vaiado em Porto Alegre após peça seguir sem intérpretes de Libras


O ator Marco Nanini, de 78 anos, foi vaiado no domingo (18) durante a segunda sessão do espetáculo “Fim de Partida”, no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre. A apresentação foi interrompida e retomada sem a interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), o que levou parte do público a deixar o teatro.
Segundo relato de espectadores ao g1, o ator alegou que a iluminação sobre as intérpretes de Libras estava atrapalhando sua atuação e pediu que a produção as retirasse do palco. “Já no início do espetáculo, o ator Marco Nanini falou sobre a questão da sombra que a luz na intérprete estava projetando no palco e que isso estava incomodando a visão dele. E o espetáculo parou”, contou a gestora cultural e professora de teatro Izabel Cristina da Silveira, que estava na plateia.
De acordo com Izabel, as cortinas foram fechadas por um problema técnico, e as duas intérpretes deixaram o local. Algumas pessoas saíram por precisarem da tradução, outras em protesto. Ao fim, o público vaiou o ator.
Em nota, a produtora Pequena Central de Produções Artísticas informou que foi identificado “um problema de compatibilidade entre o posicionamento da intérprete de Libras e a iluminação do espetáculo”. A empresa reconheceu que “falhou ao não verificar e garantir previamente as condições técnicas necessárias” para a sessão, anunciada com audiodescrição e Libras, assumiu a responsabilidade e pediu desculpas, especialmente ao público surdo e às intérpretes.
A Fundação Theatro São Pedro, responsável pelo espaço, disse que tentou mediar uma solução, mas que “não foi possível encontrar uma solução que contemplasse todas as necessidades envolvidas naquele momento”. A instituição lamentou os prejuízos à comunidade surda e afirmou que a acessibilidade é um de seus pilares.
O g1 procurou Marco Nanini, mas não obteve retorno até a última atualização. Essa foi a segunda apresentação da peça na capital gaúcha; a primeira, no sábado (17), ocorreu sem intercorrências. O texto de Samuel Beckett é encenado por Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França.
