Americanas deixa a recuperação judicial quase 3 anos após inconsistências de R$ 20 bi

A Justiça do Rio de Janeiro decretou na segunda-feira (19) o fim da recuperação judicial da Americanas, quase três anos depois de a varejista pedir proteção contra credores, depois de um dos maiores casos de fraude contábil do varejo brasileiro.

O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial do Rio, considerou cumpridas todas as obrigações do plano de recuperação que venciam em até dois anos depois da homologação, em fevereiro de 2024. A administradora judicial e o Ministério Público do Rio apoiavam o encerramento, que inclui as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações.

Segundo o magistrado, o fim da recuperação não afasta a insatisfação de credores, que ainda podem apontar descumprimento do plano ou pedir a falência da empresa. A principal resistência vinha dos credores com títulos em moeda estrangeira, os chamados bondholders, que alegavam que seus créditos foram convertidos de dólares para reais sem autorização. O juiz rejeitou o argumento: "Não se pode admitir que o credor se beneficie da modalidade e, depois de receber, conteste o critério que a viabilizou".

Em fato relevante ao mercado, a Americanas disse que o encerramento representa um "marco importante na trajetória da companhia" e inaugura uma nova etapa de seus negócios.

Quando pediu recuperação, em janeiro de 2023, a empresa informou uma dívida de cerca de R$ 43 bilhões, com mais de 16,3 mil credores. O pedido foi feito dias depois da revelação de "inconsistências contábeis" de R$ 20 bilhões no balanço.

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