Flávio promete volta do Perse; benefício a eventos foi encerrado por custo e suspeitas

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (20) que, se eleito, vai restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). O benefício fiscal foi criado em 2021, no governo de Jair Bolsonaro, para socorrer o setor durante a pandemia de Covid-19, e encerrado em 2025 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A promessa foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, inclusive no perfil da coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques. "Vou restabelecer o Perse para todo setor de eventos culturais, shows, turismo, que hoje estão sufocados, endividados pela crise que esse governo colocou o país inteiro", disse Flávio. "Onde tem eventos o comércio vende mais, o taxista e o Uber faturam, os pequenos artistas prosperam e a economia gira", acrescentou.

Quando estava em vigor, o Perse zerava a alíquota de Imposto de Renda, CSLL, PIS e Cofins para as empresas beneficiadas, o que significa perda de arrecadação para a União. Segundo o Metrópoles, o programa terminou em 1º de abril de 2025, depois de atingir o limite de recursos disponíveis, de R$ 15 bilhões. Ao anunciar o fim do benefício, após negociação com o Congresso e uma fase de transição, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a renúncia tributária poderia chegar a cerca de R$ 20 bilhões em 2025 se o programa continuasse.

O Perse também foi alvo de apurações. Em 2024, a Receita Federal identificou 2.239 empresas que indicaram usar o benefício sem pedido de habilitação processado. Havia ainda indícios de que companhias usavam códigos de atividade econômica errados para se enquadrar. Em outubro de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino cobrou do Executivo informações sobre beneficiárias que receberam recursos de emendas Pix destinadas a eventos. A divulgação de uma lista de beneficiários com influenciadores digitais e artistas também gerou controvérsia.

Segundo o g1, Flávio afirma que uma das diretrizes de seu programa de governo é retomar o equilíbrio das contas públicas, que registram déficits sucessivos, o que, segundo ele, abriria caminho para a queda da taxa básica de juros. O candidato enfrenta Lula no segundo turno, no domingo (25).

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