Milei diz esperar que campanha de Lula não tente “roubar a eleição”; Itamaraty reage
O Ministério das Relações Exteriores reagiu nesta terça-feira (20) a uma publicação do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre a eleição brasileira. Em nota, o Itamaraty afirmou que as declarações configuram “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.
Na postagem, Milei comentou um trecho de entrevista do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao SBT, exibida na segunda-feira (19), sobre a escala de trabalho 6x1 e o efeito da jornada na vida das mulheres. O argentino escreveu esperar que “a última artimanha da campanha suja deles não envolva roubar a eleição” e chamou o petista de “esquerdista ladrão”.
No trecho destacado por Milei, Lula havia dito: “Nós não podemos continuar numa escala de trabalho em que as pessoas trabalham seis dias e descansam só um. E você sabe que no caso das mulheres o dia que ela fica em casa é o dia que ela mais trabalha”.
Para o Itamaraty, a postura do argentino é incompatível com o comportamento esperado de um líder de país vizinho. “A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”, diz o comunicado. A pasta afirmou ainda que o voto eletrônico é seguro, nunca registrou irregularidades e teve a lisura confirmada por observadores internacionais no primeiro turno.
Milei apoia publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, marcado para este domingo (25).
O episódio se soma a uma crise diplomática já em curso. O governo brasileiro rebaixou as relações bilaterais em resposta ao que considera ataques verbais frequentes de Milei a Lula, e o embaixador do Brasil na Argentina foi chamado a Brasília para consultas. Do lado argentino, o chanceler Pablo Quirno disse esperar que a mudança ideológica na região também chegue ao Brasil. Desde então, segundo o g1, não houve iniciativa de reaproximação entre os dois países.