PF pede mais prazo para investigar Lulinha; decisão deve ficar para depois do 2º turno


A Polícia Federal pediu a prorrogação dos inquéritos que investigam o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeita de tráfico de influência no governo federal. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo.
As apurações tratam de suspeitas no Ministério da Saúde e na Dataprev, empresa pública que cuida das bases de dados da Previdência Social e de outros programas. Segundo a PF, o prazo inicial de 60 dias não foi suficiente e há diligências em curso, como relatórios sobre as relações entre Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Os investigadores também querem levantar vínculos societários, movimentações bancárias e registros de agendas e reuniões em órgãos públicos, além de todas as viagens nacionais e internacionais de Lulinha, com quem pagou e quando ele foi acompanhado por Roberta. As diligências alcançam ainda o empresário Fernando Bittar e o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Os pedidos foram enviados no início de outubro ao relator, ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O gabinete, porém, não os analisou porque os casos do INSS e do Banco Master estão parados na Presidência da Corte desde 12 de setembro, por decisão do presidente do STF, Edson Fachin. A Procuradoria-Geral da República defendeu que cabe a Fachin decidir as questões pendentes.
Segundo o Estadão, pessoas próximas ao ministro dizem que o mais provável é que a prorrogação seja concedida e que a decisão saia depois do segundo turno, marcado para domingo (25).
A defesa de Roberta Luchsinger disse que o inquérito tem um ano, que nada foi encontrado e que qualquer movimento agora indica “interesse político eleitoreiro”. A de Fernando Bittar afirmou que a coincidência com a eleição revela viés político. A de Antônio Carlos Camilo Antunes negou ilicitude e disse que ele está preso há 13 meses. A de Marco Aurélio Santana Ribeiro afirmou que ele nunca atuou em favor de interesse privado e que confia na PF. A defesa de Lulinha não respondeu ao Jornal Nacional.
