Flávio recebe R$ 20,3 milhões em doações no 2º turno; Lula, R$ 772,5 mil

As doações à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) somaram R$ 20,3 milhões entre 5 e 16 de outubro, já no segundo turno, segundo levantamento da Folha de S.Paulo com dados do Divulgacand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor é quase o triplo dos R$ 7,5 milhões recebidos em todo o primeiro turno. No mesmo período, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu R$ 772,5 mil, o que deixa o senador com 26 vezes o valor do petista.

O Estadão, com dados baixados do TSE na mesma terça-feira (20), calcula que Flávio recebeu mais de R$ 26 milhões em doações privadas em toda a campanha, 34 vezes o valor de Lula, que soma pouco mais de R$ 772 mil.

Na arrecadação total, que inclui recursos públicos repassados pelos partidos, Lula lidera. Segundo a Folha, o petista soma R$ 118,4 milhões, e Flávio, R$ 95,5 milhões. A diferença vem do fundo eleitoral: o PT transferiu R$ 115 milhões à campanha de Lula, 97% de tudo o que ele arrecadou, e o PL repassou R$ 47 milhões a Flávio, além de R$ 13,7 milhões do Fundo Partidário.

Todas as doações a Flávio no segundo turno vieram diretamente de pessoas físicas, e 85,6% delas entraram de 13 a 16 de outubro. Lula recebeu R$ 678,9 mil por financiamento coletivo e R$ 94 mil diretamente de eleitores. Ao longo da campanha, Lula teve mais doadores, 571, contra 462 de Flávio, mas as contribuições ao senador são maiores e mais concentradas: 17 doadores deram R$ 500 mil ou mais cada.

O maior doador de Flávio é o empresário do agronegócio Elói Vitório Marchett, com R$ 2 milhões em 15 de outubro. Nelson José Vigolo, também do agro, deu R$ 1,1 milhão. Segundo o Estadão, Alexandre Grendene Bartelle, presidente da Grendene, doou R$ 1 milhão. O maior doador de Lula é Erasmo Carlos Battistella, fundador da Be8, de biodiesel, com R$ 500 mil no primeiro turno; no mesmo dia, ele doou o mesmo valor a Flávio.

Desde 2015, por decisão do Supremo Tribunal Federal, empresas não podem doar a campanhas. Pessoas físicas podem contribuir com até 10% dos rendimentos brutos do ano anterior. Os valores ainda podem mudar, já que as campanhas podem receber recursos e atualizar a prestação de contas.