“Precisamos congelar”, diz Zelensky; Putin se diz pronto a negociar em novembro
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, propôs nesta quarta-feira (21) congelar a frente de batalha na guerra com a Rússia como primeiro passo para negociar um cessar-fogo. Em entrevista à emissora americana Fox News, ele foi questionado se aceitaria um acordo que mantivesse a linha de frente nas posições atuais. “Neste momento, precisamos congelar, e acredito que essa seja a maneira de encerrar esta guerra”, respondeu.
Zelensky repetiu que a Ucrânia precisa participar de qualquer negociação. “Sempre disse que estamos abertos a negociar em qualquer formato, sobre qualquer tema. Mas não falem sobre nós sem a nossa presença, por favor”, afirmou. Ele também defendeu que um eventual acordo de paz inclua garantias de segurança de parceiros como os Estados Unidos e países europeus.
As declarações foram dadas enquanto Putin recebia em São Petersburgo o enviado americano Steve Witkoff, no nono encontro entre os dois, segundo a Folha de S.Paulo. De acordo com o jornal, o líder russo disse a Witkoff que está pronto para reabrir em novembro as conversas mediadas pelos EUA, paradas desde o começo do ano. Witkoff relatou “avanços” na conversa que teve na véspera, em Oslo, com Zelensky.
No mesmo dia, a Rússia anunciou que começará em breve a enviar carregamentos de diesel aos Estados Unidos, em acordo com o presidente Donald Trump, e libertou o americano Stephen Hubbard, de 74 anos. Professor de inglês aposentado, ele morava em Izium, na Ucrânia, quando foi capturado pelas forças russas em 2022, e havia sido condenado em 2024 a seis anos e dez meses de prisão, acusado de ser mercenário, acusação que ele dizia ser fabricada.
Segundo o monitor ucraniano DeepState, citado pela Folha, a Rússia ocupa hoje 19,4% do território da Ucrânia, incluindo os 7,3% que já controlava desde 2014, entre a Crimeia anexada e áreas dominadas por separatistas pró-Rússia.
Na entrevista, Zelensky disse ainda que os serviços de satélite Starshield, de uso militar, e Starlink, ambos da SpaceX, de Elon Musk, “continuam limitados”, mas que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, prometeu trabalhar para resolver o problema. Na terça-feira (20), o jornal The Wall Street Journal informou que Musk havia ordenado a redução do Starshield. O empresário afirmou que qualquer restrição teria sido determinada por Trump, que negou.
Segundo a Folha, há expectativa de algum avanço no mês que vem, durante o encontro dos países da Ásia-Pacífico na China, onde se costura uma cúpula entre Trump, Xi Jinping e Putin.