Emissões do Brasil caem 6% e têm menor nível em 8 anos; energia e resíduos sobem


O Brasil lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa em 2025, queda de 6% em relação aos 2,19 bilhões de toneladas de 2024. É o menor volume desde 2018, segundo a 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, divulgada nesta semana. A redução foi puxada principalmente pela queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
As emissões líquidas, que descontam o carbono absorvido pela vegetação em recuperação e pelas áreas protegidas, caíram 9%, para 1,41 bilhão de toneladas, o menor valor desde 2012. A meta brasileira no Acordo de Paris era limitar essas emissões a 1,32 bilhão de toneladas até o fim de 2025. Segundo o SEEG, o país ficou 85 milhões de toneladas, cerca de 6%, acima do compromisso.
As emissões ligadas à mudança de uso da terra, categoria que reúne principalmente a derrubada de florestas, caíram 15%, de 957 milhões para 814 milhões de toneladas. Foi o segundo ano seguido de queda do desmatamento em todos os biomas. As emissões ligadas à destruição da vegetação caíram de 5%, no Cerrado e na Mata Atlântica, a 45%, no Pantanal; no Pampa, a queda foi de 21%. Ainda assim, o desmatamento segue como a maior fonte de emissões do país, com 39% do total, à frente da agropecuária (30%) e da energia (21%).
Na agropecuária, as emissões ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,1%, para 626,3 milhões de toneladas. A pecuária emitiu 1,68% menos, e a agricultura, 6,45% mais. O rebanho bovino diminuiu 1,7%, para 234,2 milhões de animais, enquanto o abate atingiu recorde.
No setor de energia, as emissões subiram 1,2%, para 427 milhões de toneladas, por causa do maior consumo de combustíveis nos transportes: o diesel cresceu 3%, e a gasolina, 4%. Na geração de eletricidade, a alta foi de 6%, apesar de a energia solar ter superado pela primeira vez a produção conjunta das fontes fósseis. O setor de resíduos teve o maior aumento percentual, de 3,6%, e menos de 3% do lixo foi reciclado.
“Preocupa que nosso desempenho climático ainda dependa tanto de um só setor, o de uso da terra”, afirmou David Tsai, coordenador do SEEG. Cálculos preliminares indicam que as emissões líquidas podem chegar a 1,23 bilhão de toneladas em 2026, perto da meta de 1,20 bilhão prevista para 2030.
