“Vou ter que repassar essa conta”, diz padeiro de SP sobre o fim da escala 6x1
Contratar funcionários, chamar parentes para ajudar e reorganizar as folgas estão entre as estratégias de pequenos comerciantes de São Paulo para se adaptar ao fim da escala 6x1, segundo relatos colhidos pela Folha de S.Paulo em lojas dos bairros da Lapa e de Santa Cecília. A falta de mão de obra e um ano difícil de vendas, porém, dificultam fechar a conta.
Promulgado pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, o fim da 6x1, em que se trabalha seis dias por semana com um de folga, começa a valer em dezembro. O texto adota a escala 5x2, com dois dias de descanso remunerado, e reduz a jornada de 44 para 42 horas semanais e, depois, para 40 horas, sem corte de salário.
Daniel Oliveira Marques, de 35 anos, comanda uma padaria em Santa Cecília com 27 funcionários. Ele calcula que precisará de pelo menos seis ou sete pessoas a mais e que a folha de pagamento vai subir no mínimo R$ 12 mil, sem contar encargos. “Dificultar não vai, mas vai ser ruim para os clientes, porque eu vou ter que repassar essa conta”, afirmou. Para ele, o grande comércio consegue absorver o custo por ter margem maior e benefícios fiscais.
Sônia Alves, de 47 anos, toca uma loja de roupas com o irmão e duas funcionárias e diz que os parentes vão cobrir as folgas. Ela avalia que a situação é mais difícil para lojinhas e mercadinhos de bairro sem esse apoio e afirma que o governo mudou a escala, mas não criou auxílio, como redução de impostos ou crédito, para ajudar a contratar.
Clara Santos Abreu, de 41 anos, trabalha sozinha em sua loja, de segunda a segunda. Ela estima que precisaria de dois funcionários para cumprir a nova jornada, mas prefere pagar hora extra a um só. Já Paula Goldberg, dona da marca Maria Bonita, pretende fixar as folgas de cada empregado, mas teme não achar candidatos. “Há meses temos um desfalque de trabalhadores que não conseguimos preencher”, disse.
A gerente Márcia Ribeiro Silva, de uma loja na Lapa, diz que há microempreendedores na região que planejam demitir e assumir eles mesmos a escala. Daniela Soares Fernandes, que já teve oito vendedoras no fim do ano e hoje tem três, afirma que, no cenário atual, não dá para contratar e aguarda a orientação do escritório de contabilidade.