Flávio impõe condições para abrir sigilo; campanha de Lula diz que não se opõe a nenhuma

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quarta-feira (21) que autoriza o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. A autorização, porém, depende de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, ampliar o alcance da abertura dos próprios dados. Horas depois, a campanha petista disse que aceita todas as exigências e deu prazo até as 11h desta quinta-feira (22) para o adversário.

Entre as condições listadas por Flávio estão a quebra de sigilo de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente; a abertura de dados de empresas de familiares de Lula, como as do filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além do Instituto Lula e da L.I.L.S. Palestras desde 2003; os registros de visitantes do Palácio do Planalto ligados ao caso Master; as entradas da lobista Roberta Luchsinger em palácios presidenciais; o sigilo de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula; e todos os gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, além das agendas da primeira-dama, Janja.

Na petição, Flávio classificou o pedido inicial de Lula como uma "verdadeira aberração jurídica" e disse que o presidente poderia divulgar os extratos sem levar o caso ao TSE. Em ato em Guarulhos (SP), ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou: "Eu quero levar o desafio até as últimas consequências. Eu abro meu sigilo de telefone se o Marcola abrir o dele".

O coordenador da campanha de Lula, senador Camilo Santana (PT-CE), chamou as exigências de "manobra" e disse que o presidente "não se opõe a absolutamente nada", desde que Flávio também abra o que foi pedido. Segundo ele, a resposta será protocolada no TSE às 11h desta quinta. Camilo também cobrou explicações sobre a retirada da empresa Alcazar Holdings, do advogado Willer Tomaz, da lista apresentada por Flávio. Uma investigação da Polícia Federal aponta o senador como suposto "usuário master" de uma conta dessa empresa.

Em Belo Horizonte, Lula comparou a disputa a um jogo de truco. "Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira", disse. O desafio havia sido lançado pelo petista no debate da Band, no domingo (18). As petições dos dois candidatos foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE.