UE vai propor volta da compra de frango e mel do Brasil; carne bovina segue barrada

A Comissão Europeia informou na quarta-feira (21) que pretende propor a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar carne de frango e mel para a União Europeia. A medida ainda precisa ser votada pelos países-membros do bloco na próxima reunião do comitê responsável pelo tema.

Em comunicado, a Comissão disse ter apresentado aos Estados-membros os resultados de uma auditoria feita no Brasil sobre a produção de carne de aves e mel e classificou as conclusões como "positivas". Na reunião, os países tiraram dúvidas sobre o alcance da proposta, o sistema usado para separar os produtos destinados a diferentes mercados e o controle das prescrições veterinárias. "A Comissão confirmou sua intenção de propor a reinclusão do Brasil para essas duas categorias de produtos", afirmou o órgão.

O embargo europeu entrou em vigor em 3 de setembro e atingiu também carne bovina, pescados e ovos. A exclusão do Brasil da lista havia sido anunciada em maio. A decisão não foi motivada por irregularidades na carne brasileira, mas pela avaliação da UE de que o controle do país sobre o uso de antimicrobianos na pecuária é insuficiente. O bloco proíbe o uso dessas substâncias para estimular o crescimento dos animais.

Para a carne bovina, o cenário é outro. "O Brasil ainda não é capaz de certificar de forma confiável o cumprimento dos requisitos relativos a toda a vida dos animais", diz o comunicado. Segundo o chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou, a retomada tende a ser demorada, porque o bloco exige comprovação de que não houve uso de antimicrobianos durante todo o ciclo do animal, que no caso do boi leva em média dois anos.

Em junho, o governo federal implantou um protocolo de rastreamento do animal desde o nascimento até o abate. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, a volta à lista europeia é importante porque ela serve de referência para mais de 20 países fora do bloco. A Noruega, por exemplo, também suspendeu as compras de proteína animal do Brasil.

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