Arrecadação federal soma R$ 239,4 bi, recorde para setembro; o que puxou a alta

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 239,38 bilhões em setembro, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (22). O valor é o maior para meses de setembro desde o início da série histórica, em 1995, e representa crescimento real de 5,62% sobre o mesmo mês de 2025, já descontada a inflação. Em termos nominais, a alta foi de 10,45%.

No acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação federal chegou a R$ 2,35 trilhões, com alta real de 6,97%, também recorde para o período. Entre os tributos, o IOF teve um dos maiores avanços: R$ 75,75 bilhões no ano, alta real de 19,49%, atribuída pela Receita ao aumento dos recolhimentos sobre operações de câmbio, em meio às mudanças na legislação iniciadas em junho de 2025.

O petróleo foi outro motor. A arrecadação do setor de extração de petróleo e gás natural somou R$ 106,05 bilhões no ano, alta real de 510,60%, influenciada pelo Imposto de Exportação sobre óleo bruto, criado pela Medida Provisória 1.340 de 2026. Só em setembro, o Imposto de Exportação rendeu R$ 13,32 bilhões. O setor de jogos e apostas recolheu R$ 11,12 bilhões no ano, crescimento real de 55,10%.

Segundo a Receita, o resultado do mês também reflete o comportamento dos indicadores da economia, a alta da contribuição previdenciária com o aumento real da massa salarial e a redução da desoneração da folha. Ao longo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo elevou a tributação de fundos exclusivos e de offshores, reonerou gradualmente a folha de pagamentos, encerrou benefícios do setor de eventos (Perse) e aumentou o IOF sobre crédito e câmbio, entre outras medidas.

Descontados os pagamentos atípicos e os efeitos de mudanças na legislação, a arrecadação de setembro foi de R$ 228,48 bilhões, alta real de 3,69% na comparação anual.

Mesmo com o recorde, as contas devem seguir no vermelho. A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, mas a regra permite retirar do cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas, como precatórios. Na prática, segundo o g1, a previsão é de um rombo de R$ 23,3 bilhões neste ano, mesmo que o resultado oficial para a meta apareça positivo.