Flávio escala Deltan Dallagnol para analisar sigilos de Lula, Lulinha e Janja

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, escalou o ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo), senador eleito pelo Paraná, para examinar os documentos de sigilo fiscal e bancário que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, se comprometeu a entregar nesta quinta-feira (22). A análise vai abranger também dados de pessoas próximas ao presidente.

O petista se comprometeu a abrir os próprios dados e os da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, do filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, entre outras pessoas ligadas a ele, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, do mesmo jornal, a campanha de Lula aceitou a ampliação e colocou os dados à disposição.

Segundo o site Metrópoles, Dallagnol irá pessoalmente à sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para analisar o material, acompanhado da advogada Maria Cláudia Bucchianeri, que comanda o jurídico da campanha, e do assessor de imprensa Fábio Portela. Em nota, a campanha afirma que ele vai analisar "cada extrato e relatório para desconstruir a narrativa petista e rastrear inconsistências". "A campanha de Flávio Bolsonaro defende que a sociedade brasileira tenha acesso à verdade e que nenhuma promessa de transparência seja tratada como prova antes de uma análise criteriosa dos fatos", diz o texto.

De acordo com o Painel, Dallagnol foi escolhido por já ter examinado, durante a Operação Lava Jato, questões que envolveram o filho de Lula. Ele coordenou a força-tarefa da operação em Curitiba entre 2014 e 2020. A atuação dele foi alvo de questionamentos depois do vazamento de mensagens que indicaram colaboração com o então juiz Sergio Moro.

O discurso da campanha do PL é que Flávio só entregará os sigilos bancário e telefônico dele depois que Lula apresentar os seus, segundo o Metrópoles. A disputa, tratada pelas campanhas como uma "guerra de sigilos", começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou o adversário a abrir os dados. Flávio disse que concordava e pediu que o presidente fizesse o mesmo com familiares e assessores próximos, o que foi aceito pelo petista.

Nesta quinta, Dallagnol também esteve no comitê de Flávio em Brasília, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do deputado Mendonça Filho (PL-PE), na preparação para o debate com Lula na TV Globo, marcado para sexta-feira (23).

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