Ex-gerente é suspeito de desviar 2.388 bois de produtor de 91 anos no RS
Um ex-gerente de fazendas é o principal suspeito pelo desvio de 2.388 bovinos de um produtor rural de 91 anos na Região Central do Rio Grande do Sul, segundo a Polícia Civil. Considerando o valor médio de mercado dos animais, o prejuízo pode superar R$ 11 milhões. O nome do suspeito não foi divulgado.
O homem administrou as propriedades da vítima entre 2016 e 2025 e foi demitido depois que o desfalque foi identificado. A investigação começou quando o próprio produtor procurou a polícia: os registros dele na Secretaria da Agricultura indicavam um rebanho de 4.793 bovinos, mas uma contagem nas fazendas encontrou 2.405 animais.
Na Operação Apropriare, os policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão, quatro em Santiago e um em São Vicente do Sul. Foram apreendidos 400 bovinos e uma caminhonete Hilux, e um imóvel rural foi sequestrado por ordem judicial. A Justiça também mandou bloquear contas bancárias e criptoativos dos investigados.
Segundo a polícia, a análise de Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais e dados bancários obtidos com autorização judicial indicou que animais registrados em nome do idoso teriam sido transferidos para o cadastro de produtor de um familiar do principal investigado, sem pagamento correspondente. Esse cadastro, de acordo com a investigação, estava instalado dentro da própria propriedade da vítima.
Os investigadores também encontraram registros de nascimento de terneiros nos cadastros dos suspeitos no mesmo dia em que os animais eram transferidos para outra propriedade, além de notas fiscais de venda de gado sem a movimentação financeira correspondente entre as partes.
A polícia apura ainda a compra de uma caminhonete, em janeiro de 2026, e de uma área rural em Santiago, em julho. A escritura do imóvel registra R$ 50 mil, mas extratos bancários apontam pagamentos de R$ 179 mil ao vendedor, o que levou à suspeita de falsidade ideológica.
Ao todo, seis pessoas são investigadas e, conforme a participação de cada uma, podem responder por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. As investigações continuam para descobrir o destino dos animais e identificar outros bens ligados ao caso.