Governo envia 12 aeronaves contra queimadas no Pará; Abin apura ligação com desmatamento


O governo federal anunciou o envio de 12 aeronaves do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de 33 veículos, para reforçar o combate às queimadas no Pará. As medidas emergenciais foram apresentadas em uma reunião virtual e devem começar nos próximos dias.
Os trabalhos vão se concentrar na região considerada mais crítica, com atenção especial a Uruará e São Félix do Xingu. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Uruará registra 1.806 hectares atingidos e 1.179 focos de calor. Em São Félix do Xingu, são 1.946 hectares afetados e 534 focos. De acordo com o ministro João Paulo Capobianco, o reforço de equipamentos e equipes busca ampliar a capacidade de resposta aos incêndios.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investiga uma possível relação entre os incêndios e a degradação da floresta nativa para a consolidação do desmatamento ilegal. Capobianco afirmou que foram identificados incêndios em áreas extensas, inclusive em locais sem autorização para uso agropecuário, e que há registros de fogo provocado intencionalmente para degradar a floresta. Onde os brigadistas enfrentam resistência, equipes da Força Nacional e da Polícia Federal foram acionadas.
A estiagem agrava a situação. Nesta semana, o governo federal reconheceu situação de emergência em Santarém por causa da seca, medida que acelera a liberação de recursos federais para socorro e assistência humanitária. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, destacou a necessidade de atender comunidades sem acesso e áreas mais vulneráveis à estiagem.
Segundo o governo, desde 2025 cerca de R$ 45 milhões do Fundo Amazônia foram investidos na capacitação de equipes de combate a incêndios, na compra de veículos e na aquisição de drones para monitorar queimadas, e 27 dos 144 municípios paraenses receberam apoio. O presidente do Ibama, Jair Schmitt, afirmou que a distribuição das equipes poderá ser ajustada conforme a evolução dos incêndios.
