Moraes manda bloquear até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz e quebra sigilos de 4 empresas
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (23) o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado Willer Tomaz, incluindo aviões e embarcações.
Moraes também mandou quebrar os sigilos bancário, fiscal e cambial de Tomaz e das empresas Alcazar Brasil, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral Holdings SGPS.
A decisão foi tomada no inquérito que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Os dois são amigos e negam ter negócios juntos.
Segundo a Polícia Federal, e-mails encontrados na nuvem do advogado mostram Flávio cadastrado como "usuário master" de uma conta da Alcazar Holdings no Santander. Para a PF, isso dava ao senador "acesso operacional relevante" à conta, ao menos até maio de 2025.
O ministro ainda cancelou os passaportes de Tomaz, inclusive um diplomático, e suspendeu as atividades de todas as empresas dele. Os bancos têm 24 horas para enviar os dados das contas, com os titulares atuais e anteriores.
As medidas foram justificadas pela saída do advogado do país. Segundo a decisão, ele viajou para Miami em 21 de agosto, depois de ser alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, e não há registro de retorno.
Em nota, a defesa de Willer Tomaz chamou as medidas de "desproporcionais" e disse que a suspensão das empresas "impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação".
"É falsa a informação de que Flávio Bolsonaro seria 'usuário master' de conta da Alcazar. Os dois são amigos, e um nunca movimentou recursos do outro", afirma a defesa.