Canella: MP Eleitoral pede ao TSE que barre candidatura do deputado por elo com milícias
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu nesta sexta-feira (23) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeite o registro de candidatura de Márcio Canella (União), deputado estadual eleito no Rio de Janeiro, por suspeita de ligação com milícias e com o Comando Vermelho.
Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197.178 votos. Ele está preso desde 15 de outubro, quando a Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Unha e Carne.
A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Segundo o Metrópoles, foram movimentados mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.
O parecer é assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa. Ele pede que o TSE reforme a decisão do TRE-RJ, que liberou a candidatura antes de ter acesso às provas do inquérito, que tramita no STF.
Segundo o MPE, ao assumir a Prefeitura de Belford Roxo, em 2025, Canella levou ao primeiro escalão pessoas apontadas como lideranças milicianas da região.
O órgão também cita a operação Barricada Zero, de retirada de barricadas do tráfico na cidade, que teria envolvido acordos informais com integrantes do Comando Vermelho.
"É possível afirmar, portanto, a existência de elementos seguros e convergentes", diz o parecer. Para o MPE, a falta de condenação criminal por esses fatos não impede o reconhecimento do impedimento.
Em julho, na 6ª fase da operação, Canella foi preso em flagrante depois que policiais federais encontraram um fuzil no carro dele. Ele afirmou que a arma não lhe pertencia.
A defesa diz que o MPE não impugnou o registro quando foi provocado, em setembro, e que não houve mudança na situação jurídica do candidato. Os advogados afirmam que ele confia na Justiça e espera o deferimento da candidatura.