Anvisa restringe acesso à polilaminina após mortes; pesquisadora fala em 'maldade'
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) endureceu as regras de uso compassivo da polilaminina, substância experimental estudada para o tratamento de lesões na medula espinhal. A decisão veio após mortes de pacientes tratados fora dos critérios da pesquisa e uma alta inédita de pedidos.
Com a mudança, o uso compassivo fica restrito aos critérios do estudo clínico original: lesões ocorridas há no máximo 72 horas e em uma região específica da coluna.
O uso compassivo permite que pacientes tenham acesso a produtos ainda em investigação, fora de ensaios clínicos.
Entre janeiro e março de 2026, a Anvisa recebeu a notificação de cinco óbitos quando apenas 19 pacientes tinham recebido a substância por essa via, segundo o Olhar Digital.
O laboratório Cristália informou ter registrado oito mortes entre os pacientes tratados e afirma que não há relação causal com a polilaminina. A empresa atribui os casos a complicações de lesões medulares graves.
A agência citou ainda a falta de dados robustos de segurança e o fato de o estudo de fase 1 nem ter começado. Um painel com o Conselho Federal de Medicina e especialistas recomendou, por unanimidade, não ampliar o acesso.
A pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da substância, acusou a agência, em vídeo nas redes sociais, de agir de forma ilegal e chamou a medida de "maldade". Ela defende o uso em lesões antigas.
O Cristália se distanciou das declarações e disse confiar na Anvisa. A agência classificou como inaceitáveis os ataques pessoais e afirmou que decide com base em critérios científicos.
Mesmo para o grupo autorizado, a Anvisa diz que ainda não há comprovação definitiva de segurança nem de eficácia.