Trump abre a porta para carne importada, mas só um terço da cota entra nos EUA
O plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para importar mais carne bovina e baixar os preços no país trouxe pouco volume extra até agora, segundo reportagem do The New York Times publicada pela Folha de S.Paulo.
Em agosto, Trump assinou um decreto que permitia a entrada de 300 mil toneladas de aparas de carne bovina magra com tarifa reduzida, em 90 dias. O limite era de até 100 mil toneladas por mês em setembro, outubro e novembro.
Só 37.486 toneladas entraram em setembro, pouco mais de um terço do permitido, segundo a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. Até 19 de outubro, foram 21.937 toneladas.
O preço médio de cerca de 500 gramas de carne moída caiu 1,9% em setembro, de US$ 6,92 para US$ 6,79, segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho. Um ano antes, custava US$ 6,32.
Os EUA importaram 1,9 milhão de toneladas de carne bovina no ano passado, principalmente da Austrália, do Canadá, do Brasil, do México e da Nova Zelândia.
Entidades de pecuaristas criticaram o plano. No dia em que o decreto foi assinado, o preço do gado vivo caiu 3,4%. Depois, se recuperou.
"Temo que estejam tentando resolver um problema de curto prazo com os preços da carne bovina e, com isso, acabem criando problemas de longo prazo para a oferta de gado", disse Ford Drummond, presidente da Associação de Pecuaristas de Oklahoma.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que Trump está "cumprindo sua promessa aos consumidores" ao reduzir os preços e, ao mesmo tempo, permitir que o rebanho americano cresça.
Para o economista Ted Schroeder, da Universidade Estadual do Kansas, o efeito das importações extras no preço "não será perceptível".