Quem paga a conta? O que economistas dizem das promessas de Lula e Flávio

A dívida pública brasileira está perto de R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do PIB. Dos R$ 2,8 trilhões de despesas primárias previstos no Orçamento de 2027, 90% já estão comprometidos com aposentadorias, salários, benefícios e outros gastos obrigatórios.

É nesse cenário que o g1 ouviu economistas sobre as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência neste domingo (25).

Com 81,7% das famílias endividadas em setembro, segundo a CNC, os dois propõem renegociar dívidas, sem detalhar a fonte dos recursos.

Flávio propõe que o governo compre dos bancos as dívidas de inadimplentes e as renegocie pela Caixa, com juros menores e carência de seis meses para pessoas e de um ano para empresas.

"Utilizar a Caixa Econômica Federal para fazer esse tipo de operação é um risco gigantesco de transferir a dívida privada para uma instituição pública", afirma Murilo Viana, especialista em contas públicas.

Lula sancionou o perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas de cerca de 3,6 milhões de MEIs com a União e incluiu os MEIs no Desenrola 3.0.

"Pessoas e bancos acabam esperando para agir", diz Daniel Duque, do FGV Ibre, sobre programas repetidos de renegociação.

No corte de gastos, a equipe de Flávio promete reduzir despesas em 1,5% do PIB, revisar o arcabouço fiscal e enxugar o governo. A campanha não detalhou quais gastos seriam cortados.

Para Ricardo Hammoud, do FGV Ibre, mudanças estruturais exigem reformas nas regras das despesas obrigatórias.

Lula pretende ampliar o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, manter a valorização do salário mínimo, oferecer transporte gratuito nos fins de semana e manter subsídios aos combustíveis. Segundo os economistas, essas medidas pressionam as contas quando não há receita suficiente.

Flávio também promete cortar impostos, rever pontos da reforma tributária e criar o ViraPIX, sem critérios ou fontes definidos.