Exposição no Rio mostra os rascunhos dos murais de Portinari no Palácio Capanema
O Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro, recebe até 12 de novembro a exposição “Portinari e o Brasil Moderno”. A mostra reúne rascunhos e desenhos de transferência dos murais que Candido Portinari pintou no salão de recepção do prédio, segundo a Folha de S.Paulo.
Os 12 murais, pintados em afresco, formam a série “Ciclos Econômicos Brasileiros”, da colonização à industrialização. As obras mostram a extração do pau-brasil, da cana, do café e da borracha do ponto de vista do trabalhador.
“Portinari poderia ter pintado uma colheita de algodão, sem nenhum personagem, ou uma plantação de cacau. Mas não fez isso. Fez um brasileiro”, diz o curador Rafael Peixoto.
Os desenhos ficam em cavaletes no salão, e o visitante pode compará-los com as versões finais nas paredes. Um dos indígenas de “Pau-Brasil” tem mais detalhes no estudo do que na pintura acabada.
A exposição foi idealizada por João Paulo Mansini, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ). Os curadores são Peixoto e Marcus Lontra.
O objetivo principal é atrair público ao Capanema, que só voltou a receber visitantes no ano passado, depois de cerca de uma década em obras.
Construído entre 1937 e 1945 para abrigar o Ministério da Educação e Saúde do governo de Getúlio Vargas, o prédio é considerado o primeiro edifício modernista brasileiro encomendado pelo Estado. O projeto leva a assinatura de Le Corbusier e teve a participação de Lúcio Costa, Affonso Eduardo Reidy e Oscar Niemeyer.
“Nossa ideia é que ele deixe de ser um monumento que admiramos para ser algo que usamos”, diz Patrícia Fróes, coordenadora de programação do Capanema.