Gaeco mira desvio de dinheiro que deveria ir para Apaes e hospitais


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná cumpriu 17 mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (26) na Operação Samaritano. A investigação apura o desvio de R$ 36,9 milhões que deveriam ir para entidades beneficentes, além de lavagem de dinheiro.
Entre as possíveis vítimas estão a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), a Irmandade Santa Casa de Londrina e o Hospital do Câncer de Londrina.
As buscas foram feitas em Londrina, Ibiporã e Maringá, no Paraná, e na capital paulista e em Itupeva, no interior de São Paulo. As ordens foram expedidas pela 3ª Vara Criminal de Londrina.
O alvo é uma distribuidora de títulos de capitalização filantrópica sediada em Londrina e empresas ligadas a ela. Segundo o MP, a distribuidora teria retido parte dos valores que, pelas regras da Susep, deveriam ser repassados às entidades.
Até 2019, de acordo com a investigação, as despesas descontadas da arrecadação teriam sido infladas com notas fiscais sem lastro, duplicadas ou emitidas por empresas de fachada abertas em nome de funcionários e distribuidores.
Depois da mudança nas regras, a partir de 2020, o esquema teria sido adaptado por meio de contratos de promoção de vendas. Entre março de 2020 e maio de 2022, a Santa Casa de Londrina transferiu R$ 33,16 milhões à distribuidora. O Hospital do Câncer repassou R$ 3,75 milhões entre julho de 2020 e abril de 2021.
Os investigadores também apuram a compra de imóveis e veículos de luxo por empresas abertas em nome de familiares dos sócios.
A Justiça determinou o sequestro de imóveis e o bloqueio de valores até R$ 36.913.661,48. O caso apura apropriação indébita, estelionato contra entidades beneficentes, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
O processo corre em segredo de Justiça. O MP ressalta que a venda de títulos filantrópicos é lícita e que as entidades são vítimas.
