Vem à tona o pedido da PF que fez Moraes reter o passaporte de Flávio

A Polícia Federal apontou riscos "concretos e atuais" de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pedir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão do passaporte e a proibição de saída do país. O pedido foi revelado pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, e detalhado pelo g1.

Segundo a PF, três elementos indicavam que o senador poderia deixar o Brasil sob a justificativa de suposta perseguição política: a recomendação pública do irmão, Eduardo Bolsonaro, para que saísse do país; o "expressivo poder econômico"; e estruturas já montadas no exterior.

O pedido cita ainda uma suspeita em apuração: a de que recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enviados aos Estados Unidos por meio do doleiro Antonio Freixo, tenham sido usados para custear a permanência de Eduardo no país.

"Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense", diz o texto da PF.

Os investigadores lembraram também que o advogado Willer Tomaz, investigado com Flávio por lavagem de dinheiro, está em Miami desde agosto de 2026, depois de ser alvo da Operação Sem Desconto. Para a PF, ele "dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior".

Moraes acatou o pedido e deu prazo até a manhã de terça-feira (27) para a entrega dos documentos. Flávio não cumpriu a ordem e viajou para os Estados Unidos.

Flávio e Tomaz negam irregularidades. No vídeo em que contou ter sido intimado, na segunda-feira (26), o senador disse que a decisão se baseou numa fala do irmão e afirmou: "Eu nunca pensei em sair do país".

Vorcaro fechou acordo de delação premiada, homologado pelo ministro André Mendonça em setembro. O caso corre em sigilo.

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