Júri do Porsche azul começa, e promotor crava a pena que vai pedir


O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, que dirigia o Porsche azul que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana em São Paulo, vai a júri popular a partir das 10h desta quarta-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda. O Ministério Público quer pena de mais de 20 anos de prisão.
Segundo a acusação, Fernando dirigia embriagado e bateu na traseira do Renault Sandero da vítima a 136 km/h, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, em 31 de março de 2024. O limite da via é de 50 km/h. Laudo do Instituto de Criminalística aponta que o carro chegou a 156 km/h antes da colisão.
Ele responde por homicídio qualificado por perigo comum, com dolo eventual, e por lesão corporal gravíssima contra o amigo que estava no banco do passageiro, o estudante de medicina Marcus Vinicius Machado Rocha.
"Acima de 20 anos, pelo menos. Vamos lutar por isso", disse ao g1 o promotor Rodolfo Morais.
A defesa sustenta que o caso deve ser tratado como homicídio culposo, sem intenção de matar. Fernando negou ter bebido antes do acidente. Procurado pelo g1, o advogado Jonas Marzagão disse que não comentaria o julgamento.
O júri é presidido pela juíza Melanie Liesenberg e deve durar dois dias, com 14 testemunhas. O empresário está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024.
Às vésperas do julgamento, a Justiça Militar tornou réus os PMs Thiago Silva Batista e Daisy Aparecida Cardoso Romão, que atenderam a ocorrência. Segundo o MP, eles deixaram Fernando sair do local sem fazer o teste do bafômetro. Ele só se apresentou à polícia cerca de 36 horas depois.
A Secretaria da Segurança Pública reconheceu depois que houve erro na condução da ocorrência.
