"Foi um erro político", diz ministro de Lula sobre Moraes
Ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram, em caráter reservado, a decisão do ministro Alexandre de Moraes de mandar cancelar os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL), atendendo a pedido da Polícia Federal. As críticas foram relatadas nesta quarta-feira (28) pelo blog do jornalista Valdo Cruz, no g1.
Segundo o blog, eles avaliam que a PF e Moraes jogaram "gasolina numa fogueira que estava diminuindo de intensidade" e que o ideal seria aguardar alguns dias antes de tomar qualquer medida.
Para esses ministros, se o plano de Flávio era deixar o país, seria melhor que isso acontecesse sem a decisão, para mostrar que ele estava fugindo da Justiça. Agora, dizem, o senador poderá levantar o discurso de que é "vítima de uma perseguição política".
"Eu não teria tomado essa decisão. Vão comparar com o caso Lulinha, que saiu do Brasil e está na Espanha", disse reservadamente um ministro do STF. Ele lembrou que o ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o filho de Lula, não tomou medida semelhante.
Um ministro do governo reclamou que a decisão veio minutos depois do anúncio do resultado da eleição. "Foi um erro político, o Moraes não poderia ter feito isso neste momento, se ele fugisse, ia ficar desmoralizado. Agora ele vai vestir o figurino de vítima", afirmou.
Segundo o jornal O Sul, Lula orientou os ministros a evitar manifestações recorrentes sobre a saída de Flávio. A estratégia, de acordo com fontes do Planalto ouvidas pelo jornal, é deixar o caso com a PF e o Ministério da Justiça para não alimentar o discurso de perseguição.
Flávio chegou a Miami nesta quarta, com a mulher e as duas filhas. Ele é investigado no STF por suspeita de lavagem de dinheiro e nega irregularidades.