Votação sobre Cuba na ONU racha a América Latina


A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira (28) mais uma resolução pelo fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba, mas com a menor adesão em 30 anos. Foram 130 votos a favor, entre eles o do Brasil, 17 contra e 25 abstenções.
Em 2025, a resolução teve 165 votos a favor, 7 contra e 12 abstenções. A última vez em que o apoio foi menor que o deste ano foi em 1995, com 117 votos. A ONU vota o tema desde 1992.
Na América Latina, votaram contra Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica, todos com governos aliados de Donald Trump, segundo a Folha. Chile, República Dominicana, Honduras e Peru se abstiveram. México, Uruguai, Nicarágua e Panamá votaram a favor, com o Brasil.
De acordo com a Folha, os EUA fizeram campanha para reduzir o apoio. Na semana passada, a missão americana promoveu um evento na sede da ONU com ex-presos políticos de Cuba, para convencer delegações de que o embargo não é o culpado pela situação da ilha.
A sessão teve bate-boca entre o representante dos EUA, Mike Waltz, e o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla. A delegação cubana tentou interromper Waltz, acusando-o de difamar a ilha. Nesta quarta, Waltz disse da tribuna que "o diplomata cubano será colocado em um avião hoje de volta a Havana", sem dar detalhes.
No discurso do Brasil, o embaixador Sergio Danese citou relatórios de agências da ONU sobre o impacto do bloqueio na ajuda humanitária e criticou a inclusão de Cuba na lista americana de Estados patrocinadores do terrorismo.
O governo Trump justifica as medidas dizendo que Cuba é uma ameaça à segurança regional por causa de aliados como China, Irã e Rússia. Entre 2019 e 2022, sob Jair Bolsonaro, o Brasil votou contra a resolução uma vez e se absteve duas.
