Unilever acelera reajustes por causa da guerra no Irã

A Unilever, fabricante do sabonete Dove, dos produtos de limpeza Cif e da maionese Hellmann's, informou nesta quarta-feira (28) que espera reajustes de preços maiores no quarto trimestre e no próximo ano. A empresa vai repassar aos clientes a alta dos custos ligada à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro.

"Definitivamente, esperamos que os reajustes de preços em 2027 sejam maiores do que a média de 2026", afirmou o presidente-executivo da Unilever, Fernando Fernandez. "Agora que temos mais clareza sobre o cenário de custos, estamos acelerando os reajustes."

A Unilever não é a única. Coca-Cola, Procter & Gamble, Nestlé e Reckitt já alertaram para o risco de novos aumentos no ano que vem para compensar os efeitos da guerra, segundo a agência Reuters.

Essas empresas subiram fortemente os preços durante a pandemia e nos primeiros meses da invasão da Ucrânia pela Rússia. Desde então, tentavam reconquistar consumidores que migraram para produtos mais baratos de marcas próprias do varejo.

Neste ano, a Unilever conseguiu repassar parte do aumento das matérias-primas sem perder volume de vendas. No terceiro trimestre, as vendas subjacentes cresceram 5,2%, acima dos 4,8% esperados pelos analistas. Os preços subiram 2,3% no período.

Mesmo assim, as ações da empresa caíram 3,4% nesta quarta, depois de ela informar que o volume de vendas cresceu menos no terceiro trimestre do que no segundo, pressionado pelo negócio de alimentos.

"Vamos garantir um bom equilíbrio entre volume e preços em tudo o que fizermos, tanto no curto quanto no médio prazo", disse Fernandez.

A empresa manteve as projeções de vendas e de margem de lucro para 2026 e espera crescimento de cerca de 5% nas vendas subjacentes no segundo semestre.