Vem à tona o plano da PF para pressionar Flávio a voltar ao Brasil

A Polícia Federal (PF) avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva e o bloqueio de bens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), mesmo proibido pela Justiça, e desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã de quarta (28).

Segundo fontes da PF ouvidas pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no g1, o descumprimento da ordem judicial, seguido da saída do país, reforça os argumentos para um pedido de prisão. Os investigadores citam o artigo 312 do Código de Processo Penal, que prevê a medida por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal.

Até a noite de quarta, não havia pedido formalizado. A PF pode representar pela prisão, mas a decisão cabe à Justiça.

De acordo com o jornal O Globo, citado pelo O Sul, a PF também estuda pedir o bloqueio de bens do senador para pressioná-lo a voltar. A medida já foi aplicada pelo ministro Alexandre de Moraes ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, que está nos EUA desde agosto, com sequestro de bens até o limite de R$ 6 bilhões.

Flávio e Willer são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de empresas de apostas. Os dois confirmam a amizade, mas negam ser sócios e negam irregularidades.

Os investigadores apuram ainda como o senador chegou à fronteira. Segundo o g1, há suspeita de que o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e o governo argentino tenham ajudado na fuga.

Flávio usou o passaporte italiano para embarcar no jatinho em Puerto Iguazú, de acordo com a declaração de voo citada pelo g1. O avião fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a Flórida.

Em nota, a PF afirmou que a decisão sobre os passaportes não autorizava prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares. "A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido", diz o comunicado.

Segundo O Globo, os investigadores avaliam que uma prisão teria pouco efeito prático, porque o governo de Donald Trump já autorizou a permanência dele nos EUA. Se for decretada, o nome pode ir para a lista vermelha da Interpol, o que não significa detenção automática.

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