Flávio recebe pedido dos EUA para mudar a carta

O governo dos Estados Unidos pediu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que retirasse da carta divulgada nesta quarta-feira (28) os trechos em que ele se apresentava como "verdadeiro presidente eleito" do Brasil. A informação foi publicada pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e confirmada pelo blog do Valdo Cruz, no g1, com diplomatas que acompanharam o caso.

Segundo assessores do Departamento de Estado, a expressão poderia dar a entender que o governo americano havia acolhido o senador nessa condição, o que criaria problemas para as relações diplomáticas oficiais entre os dois países.

Pouco depois da primeira publicação, Flávio apagou o texto e divulgou uma nova versão, em que trocou as expressões por "líder do Brasil" e "líder". Aliados do senador afirmam que a mudança foi apenas um ajuste no texto.

Os diplomatas ouvidos pelo blog dizem, porém, que a alteração veio depois de uma posição do governo do presidente Donald Trump, ao tomar conhecimento do conteúdo da carta.

Na nova versão, Flávio manteve a alegação de fraude na eleição, sem apresentar provas, e disse que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. O TSE confirmou a vitória de Lula e afirmou que a votação transcorreu sem fraudes. O PL reconheceu o resultado.

Registros do sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), consultados pelo g1, mostram que o senador foi admitido na categoria "DT", de entrada temporária autorizada, e pode permanecer no país até 27 de outubro de 2027. O g1 procurou o CBP, que não respondeu.

Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27) sem entregar os passaportes, como havia determinado o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro ao lado do advogado Willer Tomaz. Os dois negam irregularidades.

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