"A lei deve ser igual para todos", diz deputado italiano sobre Bolsonaros
O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, pediu aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália uma investigação administrativa sobre a cidadania italiana concedida a Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.
O pedido foi apresentado na quarta-feira (28), depois que Flávio usou o passaporte italiano para deixar a Argentina rumo aos Estados Unidos, segundo os registros migratórios argentinos. Os passaportes brasileiros do senador haviam sido cancelados por ordem do STF.
Flávio e Eduardo tiveram a cidadania reconhecida em 2023, e Carlos, em 2024. Segundo o ofício, ao qual a rádio francesa RFI teve acesso, os processos de Flávio e Eduardo foram concluídos em cerca de um ano.
Bonelli afirma que os dois irmãos foram pessoalmente à Embaixada da Itália em Brasília em 8 de novembro de 2022, nove dias depois da derrota de Jair Bolsonaro, para cobrar o andamento do pedido. Na época, segundo o deputado, estavam sendo chamadas pessoas inscritas em 2018.
O documento cita que, em 2018, mais de 112 mil pedidos feitos no Brasil aguardavam atendimento, e que a espera por uma convocação nos consulados pode chegar a dez anos.
"A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos", afirmou Bonelli à RFI.
O deputado também cita o caso da ex-deputada Carla Zambelli, que tem cidadania italiana, foi condenada no Brasil e ficou presa em Roma. Para ele, a Itália não pode se tornar "um refúgio para quem precisa responder à Justiça de seu próprio país".
A cidadania dos irmãos foi obtida pelo direito por descendência, a partir de um bisavô de Jair Bolsonaro originário do Vêneto, segundo a RFI. A resposta do governo italiano deverá ser dada oralmente no plenário, mas ainda não há data prevista.
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